As bromélias não são parasitas como muitas pessoas pensam. Na natureza, aparecem como epífitas (simplesmente apoiando-se em outro vegetal para obter mais luz e mais ventilação), terrestres ou rupícolas (espécies que crescem sobre as pedras) e compõem uma das mais adaptáveis famílias de plantas do mundo, pois apresentam uma impressionante resistência para sobreviver e apresentar infinitas e curiosas variedades de formas e combinações de cores.
As bromélias estão divididas em grupos chamados gêneros - que hoje são mais de 50. A maioria das espécies de um mesmo gênero tem características e exigências iguais. Gêneros diferentes requerem diferentes variações de luminosidade, rega e substrato.
No cultivo, os gêneros mais comuns são:
•AECHMEA

* Nome Científico: Aechmea fasciata
* Sinonímia: Bilbergia fasciata
* Nome Popular: Aequimea, vaso-prateado, bromélia-aequimea
* Família: Bromeliaceae
* Divisão: Angiospermae
* Origem: Brasil
* Ciclo de Vida: Perene
Uma das bromélias mais comercializadas, a Aequimea é normalmente vendida em vasos. Sua folhagem é rígida, com estriações verticais, espinhos nas bordas e apresenta escamas esbranquiçadas, principalmente quando a planta é jovem. A inflorescência, muito durável, também é rígida, formada por brácteas cor-de-rosa, cheias de espinhos nas bordas, e flores roxas delicadas.
Os frutos são pequenos e arredondados. A floração ocorre quando a planta está madura e recebeu iluminação e nutrientes suficientes. Após a floração a planta emite brotações laterais e morre. Muito indicada para a decoração de interiores durante a floração, após este período deve ser levada ao jardim para locais semi-sombreados, frescos e úmidos.
Devem ser cultivadas em substrato para epífitas, como casca e fibra de côco, areia, entre outros materiais, sempre à meia-sombra, irrigadas regularmente. Multiplica-se por separação das mudas laterais, quando estas atingem 2/3 do tamanho da planta mãe. Profissionalmente pode ser multiplicada por sementes e meristema.
•BILLBERGIA

O gênero foi nomeado em homenagem ao botânico, zoólogo e anatomista sueco Gustaf Johan Billberg.
As plantas deste gênero se desenvolvem principalmente no Brasil, exceto uma espécie que se desenvolve desde o México até a América do Sul tropical.
Estas bromélias são cultivadas como plantas ornamentais por suas brilhantes inflorescências.
•CRYPTANTHUS

A planta tem a roseta aberta, folhas mais estreitas, variegadas com listras longitudinais, às vezes com espinhos, com forma de estrela.
As cores podem ser verdes e creme, verde e rosa, ou as três cores juntas.
Na natureza aparecem em florestas úmidas, pouco iluminadas e de alta temperatura.
Suas flores são brancas e bem pequenas, mas sua floração é pouco chamativa.
A espécie Cryptanthus bahianus é uma planta que cresce em fendas de rochas e sua cor é mais uniforme, avermelhada. Desenvolve-se sob sol e com pouca umidade.
•DYCKIA

Dyckias são novas velhas plantas sul-americanas.Bromélias do solo, habitam rochas e areais e quando florecerem não se desmancham. São adoradoras do sol que foram erguidas com a montanhas, durante a formação das cordilheiras e vales.
•GUZMANIA

* Nome Científico: Guzmania sp
* Nome Popular: Guzmânia, gusmânia, bromélia
* Família: Bromeliaceae
* Divisão: Angiospermae
* Origem: América do Sul
* Ciclo de Vida: Perene
As bromélias do gênero Guzmania são epífitas e apresentam algumas características em comum como folhas largas e macias, com textura coriácea e inflorescência formada por brácteas coloridas e flores tubulares. São descritas mais de 120 espécies de Guzmania e outros tantos híbridos e variedades. Uma das espécies mais conhecida é a G. ligulata, a guzmania-cherry, de inflorescência alta e brácteas vermelhas. Estas bromélias, podem apresentar no entanto folhas, brácteas e flores de várias cores, como vermelho, rosa, vinho, roxo, amarelo, branco, verde, etc; inclusive formas variegadas e estriadas. A floração ocorre no verão.
Devem ser cultivadas à meia-sombra, em substrato próprio para epífitas, como fibras e cascas de coco, cascas de pinus, entre outros materiais, misturados a terra vegetal. Aprecia regas frequentes, sem encharcamento. Podem ser fixadas no tronco de árvores, com sisal ou barbante. Multiplica-se por separação das mudas formadas após a floração quando estas atingirem 2/3 do tamanho da planta mãe e comercialmente por sementes.
•NEOREGELIA

* Nome Científico: Neoregelia sp
* Nome Popular: Neoregelia, ninho-de-passarinho
* Família: Bromeliaceae
* Divisão: Angiospermae
* Origem: Brasil
* Ciclo de Vida: Perene
Neoregelia é um gênero de bromélias de características majoritariamente epífitas e que apreciam a luminosidade. São espécies que tem a capacidade de reter grande quantidade de água no copo central da planta, formado pela disposição em roseta das folhas. Suas folhas são bastante rígidas e brilhantes e podem alterar sua cor para situações de maior ou menor luminosidade ou durante a floração para atrair os polinizadores.
Durante a floração algumas espécies ficam com as pontas das folhas de cor diferente, outras alteram apenas a cor das folhas em torno da inflorescência. Na maioria das vezes esta cor se altera para o vermelho e suas tonalidades. As folhas ainda podem apresentar variegações, listras e manchas salpicadas. As flores são normalmente pequenas, de coloração branca, rósea, púrpura ou azul. Após a floração a planta emite brotações laterais ou estolhos, dos quais surgirão novas plantas.
Devem ser cultivadas em substrato para epífitas, como casca e fibra de côco, areia, entre outros materiais. A luz é um fator importante para esta bromélia, que pode receber luz direta durante as horas mais frescas do dia, como pela manhã e à tardinha e meia sombra no resto do dia. Multiplica-se por separação das mudas laterais, quando estas atingem 2/3 do tamanho da planta mãe. Profissionalmente pode ser multiplicada por sementes e meristema.
•NIDULARIUM

As espécies deste gênero são nativas das regiões tropicais e subtropicais úmidas do Brasil.
O gênero foi nomeado para descrever à semelhança de um pequeno ninho ( do latim "nidus" = ninho e "arius" =referente a) produzido pelas inflorescências.
Este grupo de bromélias foi descrito pela primeira vez em 1854 e, devido a semelhança, é confundido com as Neoregelias.
•TILLANDSIA

São plantas aéreas e a maioria habita as árvores e absorve seus nutrientes e umidade do ar, através de escamas prateadas. São mais de 400 espécies e é o género que apresenta o maior número de espécies espalhadas pelas Américas.
São encontradas em desertos, bosques e montanhas da América Central, América do Sul, México e sul dos EUA. No Brasil existem cerca de 40 diferentes espécies de Tillandsia.
O gênero Tillandsia foi nomeado por Carolus Linnaeus em 1738 em honra ao médico e botânico finlandês Dr. Elias Erici Tillandz (originalmente Tillander) (1640-1693).
•VRIESEA

* Nome Científico: Vriesea sp
* Nome Popular: Vriésia, gravatá, bromélia-vriésia, espada-de-fogo
* Família: Bromeliaceae
* Divisão: Angiospermae
* Origem: América Central e do Sul
* Ciclo de Vida: Perene
As vriésias são bromélias epífitas ou terrestres, bastante rústicas e que vegetam bem sob sombra moderada. As plantas mais conhecidas deste gênero são em geral pequenas, com folhas macias, brilhantes, verdes ou avermelhadas e sem espinhos, podendo ter listras amarronzadas. As inflorescências variam quanto à forma, podendo ser espigadas, retas e achatadas ou pendentes e delicadas. A cores mais comuns das brácteas e flores são o amarelo, o laranja e o vermelho.
Originárias de florestas úmidas, não toleram o sol pleno, o frio e ambientes muito secos. É um dos gêneros mais populares, prestando-se a muitas hibridizações comerciais. Sua floração é muito durável, podendo ser mantida em ambientes internos por longos períodos.
Devem ser cultivadas a meia-sombra, em vasos ou jardineiras com misturas apropriadas para epífitas, com materiais como casca e fibra de côco, pedras, areia, musgo, etc. As regas devem ser realizadas sempre que o substrato secar. Multiplica-se por separação das mudas que se formam entorno da planta mãe após a floração, quando estas atingirem 2/3 do tamanho adulto. Comercialmente multiplica-se por sementes.
A maioria das bromélias podem ser plantadas em vasos, mas podemos mantê-las sobre troncos ou xaxim. As Tillandsias, de folhas acinzentadas, não se adaptam ao plantio em vasos, preferindo os troncos.
As bromélias crescem em quase todos os solos, levemente ácidos, bem drenados, não compactados e que propiciem condições de bom desenvolvimento para o sistema radicular. O substrato deve ter partes iguais de areia grossa ou pedriscos, musgo seco (esfagno) ou xaxim e turfa, ou mesmo húmus de minhoca. O importante é que a mistura possibilite uma rápida drenagem. Cryptanthus e Dyckias crescem bem no mesmo tipo de mistura, acrescentando-se, ainda, uma parte de terra ou folhas secas moídas.
As classificações das bromélias:
EPÍFITAS - As bromélias epífitas, na natureza, absorvem pelas raízes apenas os sais minerais que escorrem com a água da chuva ao longo do tronco das árvores, onde estão fixadas. A água depositada nos copos ao centro da roseta, atrai insetos que se decompõem e criam um meio fornecedor de nutrientes à planta.
TERRESTRES - Extraem nutrientes basicamente pela raiz, fixada ao solo.
Algumas regras para o plantio correto:
1. Não enterre demais as bromélias, mantenha a base das folhas acima do solo.
2. Não use um vaso muito grande, pois há perigo de umidade excessiva nas raízes.
3. Não permita que a planta fique "balançando", fixe-a bem, pois isto poderá danificar o tenro desenvolvimento das novas raízes. Estaqueie a planta se necessário, até que as raízes estejam bem desenvolvidas.
4. Coloque sempre uma boa camada de cacos de telha ou pedriscos no vaso, que deve ser sempre furado nas laterais ou no fundo.
REGAS
As bromélias gostam de ter suas raízes molhadas, mas sempre de forma bastante moderada, o mais importante é molhar as folhas e manter sempre o tanque central com água. Quando a temperatura ambiente estiver muito alta, borrife com água as folhas, mas nunca sob luz solar direta e nas horas mais quentes do dia. Plantas de folhas macias apreciam ambiente mais úmido do que plantas de folhas rígidas.
LUMINOSIDADE
Bastante claridade em luz difusa é a condição preferida pela maioria das bromélias. Em geral, plantas com folhas rígidas, estreitas e espinhentas, tal como folhas de cor cinza-esverdeada, cinza, avermelhada ou prateada, gostam de maior luminosidade durante maior período de tempo, em alguns casos até mesmo sol pleno. Plantas de folhas macias, de cor verde ou verde-escura, apreciam locais com menor intensidade de luz, mas nunca um local escuro. As Nidulariuns requerem pouca luz, enquanto as Neoregelias se encontram no outro extremo. O intenso e atraente vermelho translúcido encontrado em muitas Neoregelias desaparece quando a planta é transferida para um local de menor luminosidade.
Como sintomas de pouca luminosidade, as plantas apresentam folhas escuras ou pobres em cor, freqüentemente macias, caídas e bem mais longas que o normal (estioladas). Como sintomas de excesso de luz, temos folhas amareladas, com manchas esbranquiçadas, ressecadas e até com verdadeiras queimaduras.
ADUBAÇÃO
As bromélias devem ser adubadas com muito critério. São extremamente sensíveis e absorvem os nutrientes com muita facilidade pelas folhas. Use um adubo químico de boa qualidade. Adube semanalmente durante os meses de maior intensidade de luz e calor (de agosto a abril). A relação NPK de 2-1-4 com traços de Magnésio parece ser ideal. O Boro (Bo) deve ser evitado por causar queimaduras nas pontas das folhas, o que também ocorre no caso do excesso de Fósforo (P). Cuidado com o Cobre (Cu) que, mesmo em muitas pequenas quantidades, mata a planta. A quantidade de adubo foliar recomendada é de 0,5 g/litro de água usada em aspersão, de qualquer forma nunca supere 2 g/litro.
TEMPERATURA E UMIDADE
As bromélias são plantas tipicamente tropicais, portanto, a maioria aprecia temperaturas elevadas e bons índices de umidade associados a local muito ventilado. As Guzmanias são as que menos apreciam temperaturas altas, e as Tillandsias as mais exigentes em arejamento, enquanto Vrieseas e Nidulariuns gostam de locais com bastante umidade.
PRAGAS E DOENÇAS
As bromélias, apesar de muito resistentes, são suscetíveis a pragas, fungos e doenças como todas as plantas, porém são muito sensíveis a fungicidas e inseticidas, pois absorvem esses produtos facilmente com seu metabolismo. Para combater cochonilhas e pulgões, utilize uma solução de fumo diluída em água. Retire as pragas com uma escova de dentes. Para combater os fungos, utilize uma esponja macia e úmida, com sabão de coco dissolvido em água. Nunca utilize fungicidas à base de Cobre, como a calda bordalesa - lembre-se que o Cobre mata as bromélias. As bromélias são, com freqüência, atacadas por lesmas e lagartas. Tente elimina-las manualmente. Caso necessite aplicar algum inseticida, o mais tolerado é o Malatol, cuja dissolução deve ser feita pela metade do indicado na embalagem.
Lembre-se que a principal causa do ataque de pragas é o desequilíbrio ecológico. Convém lembrar, ainda, que as bromélias são plantas extremamente sensíveis ao ar enfumaçado ou poluído, pois absorvem elementos nocivos, depositados na água do cálice.
FLORAÇÃO
As bromélias florescem somente uma vez durante seu tempo de vida. Após a floração, a planta geralmente desenvolve uma brotação lateral que substituirá a planta que irá morrer. As bromélias atingem a maturidade e florescem em diferentes idades - de meses a dezenas de anos, dependendo da espécie e condições do ambiente, respeitando sempre uma determinada época do ano. Muitas vezes, uma planta não floresce em razão da falta de luminosidade ou outro fator ambiental como, por exemplo, a temperatura. Por outro lado, uma brusca mudança do ambiente pode provocar a floração numa planta adulta. A planta sente-se ameaçada e o instinto de preservação da espécie desencadeia a floração com a finalidade de gerar sementes e brotos laterais: tudo isso para assegurar a sua preservação.
Dependendo da espécie, algumas plantas apresentam inflorescência extremamente exuberante, podendo ser de longa duração. Algumas duram meses, como Aechmea fasciata e a Guzmania denise, outras são breves, duram dias, como muitas das Billbergias.
As bromélias parte 2:
Bromeliaceae é uma família de plantas floríferas pertencente à ordem Poales, representada pelas bromélias (Bromelia sp.).
São quase exclusivamente originárias das Américas, principalmente das florestas tropicais, com apenas um gênero originário da costa da África Ocidental, no Golfo da Guiné. São aproximadamente 1.400 espécies em 57 gêneros. O gênero Ananas é muito cultivado na América do Sul para se produzir a fruta abacaxi. O gênero Bromelia é cultivado em todo mundo para o paisagismo de jardins.
As bromélias não são parasitas como muitas pessoas pensam. Na natureza, aparecem como epífitas (simplesmente apoiando-se em outro vegetal para obter mais luz e mais ventilação), terrestres ou rupícolas (espécies que crescem sobre as pedras) e compõem uma das mais adaptáveis famílias de plantas do mundo, pois apresentam uma impressionante resistência para sobreviver e apresentam infinitas e curiosas variedades de formas e combinações de cores. As bromélias estão divididas em grupos chamados gêneros - que hoje são mais de 50.
No Brasil, existem bromélias em praticamente todos os ecos-sistemas terrestres.
As bromélias da Mata Atlântica:












Seus ecos-sistemas associados (restingas, campos de altitude, manguezais, diversas matas) é o bioma mais rico em plantas desta família.
As bromélias do Cerrado:










Seus ecossistemas associados (campos rupestres, campos e diversos tipos de campos cerrados).
As bromélias da Amazônia:





Incluindo campinaranas, igapós e matas de terra firme.
As bromélias do Semi-Árido:





A conservação das bromélias dentro dos ecossistemas que as abrigam. Para isso, tem incentivado e participado de projetos que visem a proteção de matas, restingas, campos de altitude, campos rupestres, cerrados, enfim, de toda a natureza brasileira.